Com-primido

Com-primido Depois de um dia cheio, chato e lombroso de discussões fracas e indefinidas, de metas frustradas e ilusões. Chego em casa cansado, oprimido. Minha mente querendo voar, querendo sonhar. Porém, despenco no meu leito, despindo-me de minha calça, palitó, sapatos e gravata. Puxo meu edredon e cubro-me… Medito sobre o dia, triste dia, preciso aprender a filtrar... O quarto enegrecido, mas, como de praxe, apenas estiquei o braço, pois ali estava o criado mudo, onde havia somente uma gaveta. Abri e senti com os dedos, anular e médio, a cartelinha, senti pelo tato. Fiz digitopressão, rompeu-se e ouvi o estalido do comprimido parindo em minha mão. Dum gesto condicionado, empurrei a gaveta com a face da mão, daí joguei o remédio na cavidade bucal, nunca imaginei em errar, pois tamanha era precisão do ato repetido cotidiano que todo dia ei de tomar. Aquele comprimido seco, do gole seco, da boca seca e de tudo seco. Então... Estiquei novamente e agarrei no gargalo da muringa, levei até a boca para aquele seco comprimido, pela cristalina água empurrar, até no meu estômago e no suco gástrico nadar, pois, do seu efeito eu preciso ser eleito. Sheldon Feitosa 30-10-2015

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