Khronos
Realmente, fiquei muito puto porque não consegui enganar os dias, driblar as horas e chatear o tempo. Assim, se deu essa saga. Tentei negociar, mas nada, evoquei por horas e nada. Até tentei sufrágio. Embora o enganado tente enganar, nessa situação o enganado era sempre eu.
Tentei, tentei e juro que tentei, enfiei até a faca virgem na bananeira meia-noite, conversei com gato preto na sexta-feira santa. Fiz de tudo e até agora nada. Teve uma vez que eu pensei que tinha o encontrado, até sentei em mesa de boneco carioca tomando chopp no fim de tarde. Decepcionei porque não era. Ele foi passando e passando esculpindo suas horas em mim, muito bem cravadas e marcadas pelas rugas e tudo mais.
Virei alquimista, mágico e bruxo. Peguei no rabo do cometa e até conversei com ele e não deu em nada, triste fim de policarpo. Sim, eu fiquei com medo da frustração de não ter como encontrá-lo. Teve uma época que fiquei tão obstinado que preguei Kooko´s em todas as paredes do meu apartamento. Na repartição, para onde olhava ele estava, na mesa, no elevador, no relógio de ponto, onde quer que eu estivesse ele estava.
Até que então tudo passou e aposentei, ficou foi pior, a falta do que fazer causou um matrimônio com ele. Aí sim me irritei muito. Tornei especialista e virei relojoeiro tentando dominá-lo.
Agora que me encontro aqui nesse lugar escuro, vestido de terno com esse cheiro de flores, sinto que ele está ao meu lado.
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